sexta-feira, 11 de julho de 2008

Sobre Engenheiros e Pedreiros

Porque considero que um pedreiro tem menos importância na sociedade que um engenheiro? Conforme eu coloquei no texto: “O que seria uma sociedade justa?”, acredito que um engenheiro influencia mais a sociedade que um pedreiro.

Os engenheiros que evoluem a ciência da engenharia como um todo, os pedreiros são importantíssimos para fazer uma obra, mas se não fosse pelas mentes pensantes não existiria nem obra. Um exemplo:

Os construtores antigos perceberam que ao vencerem vãos com vigas de eixo retiliníeo (conforme nós fazemos hoje com a ajuda do aço), as pedras não suportavam as tensões de tração que apareciam na parte inferior da viga e rompiam.

Até que um engenheiro notou que se construíssem a parte inferior da viga em forma de arco (conforme muitas pontes hoje em dia) e cortassem as pedras de maneira que uma se encaixasse na outra, estas só sofreriam esforços de compressão e as pedras são bastante resistentes a esses esforços.

Ou seja, toda a arte das pontes romanas, das vigas em forma de arco. Quem tem mais mérito o cara que descobriu ou os pedreiros que à construiram? Eu acredito que foram quem desenvolveram. No quesito evolução da ciência e arte, os individuos que estudam tem maior importância.

Eu coloco o exemplo do engenheiro porque é a minha área, mas poderia se dizer o mesmo sobre qualquer outra, como medicina, quem é mais importante numa sociedade um médico ou um enfermeiro? Essa é a minha opinião, a maneira que eu vejo as coisa. Eu quis expor para deixar claro o porquê de eu dar mais valor a um do que ao outro.

3 comentários:

Paula disse...

"No quesito evolução da ciência e arte, os individuos que estudam tem maior importância", sem dúvida. Mas no quesito social, tanto quem pensou em como construir, como quem efetivamente o faz, têm a mesma importância. Um não pode exercer suas funções sem o outro, e ambos são alicerces da sociedade.

Valeu pelo convite, Caio. :-)
Abraços

Caio Mariani disse...

Sim, Paula, mas as evoluções na ciencia e na arte afetam o social.

Emanoel Mello disse...

Nesse caso seria interessante fazer uma analogia com a Música, uma arte tao matematica quanto a Engenharia: sabe-se bem como o estilo erudito,(academico), da música tem como fundamento primeiro a Teoria Musical, toda a matematica teórica, toda a técnica,(apesar de ate a musica erudita ter seu lado "emocional" tb), mas isso nao impede que existam outros estilos de música mais "alternativos", improvisados, como o rock, a mpb, o jazz. Sabe-se bem que estes estilos de música nao seguem o rigor teórico e matematico da musica erudita. Por isso deixariam de ser música? Por conta disso? Creio que nao; tambem creio que nao seriam estilos "inferiores" ao erudito, apenas diferentes. Sao estilos estes muito aptos a criarem na arte da Música, mesmo nao sendo algo erudito. O proprio Villa Lobos se arriscou em resgatar um estilo musical marginal, das mesas de bar cariocas, para transformá-lo num estilo erudito. Dizer que um mestre de obras experiente e sem diploma nao pode ser uma "mente pensante" na construção civil é semelhante a dizer que Raul Seixas ou mesmo John lennon nao poderiam ser considerados musicos só pelo fato de nao tomarem para si o estilo erudito, matemático.
E se queres um exemplo científico da empiria vs teoria(técnica), lhe apresento este: Michael Faraday, (1791 - 1867), físico e químico inglês que mesmo sem diploma, provido de conhecimentos matematicos nao avançados, e com a sua empiria incansável conseguira assim mesmo grandes avanços na Ciência, lançando as bases fundamentais para a abordagem mais teórica de Maxwell (1831 - 1879), aonde veio a derivar a teoria do eletromagnetismo. Se é possível na Música e na Física pq não na Engenharia?
Logo, creio que tu estás permitindo que teu diploma fale por ti, sem demonstrar nada de novo nesta sua "reflexão", com uma visão de mundo completamente deturpada e limitada pelos muros das instituições tradicionais.